UFU · Saúde e Bem-estar · 05/10/2026 13:19

Conheça 15 pesquisas da UFU sobre câncer de mama

Estudos de diferentes áreas investigam acesso ao tratamento, alimentação de pacientes e até novas estratégias para diagnóstico e combate a tumores

Créditos: Universidade Federal de Uberlândia

Conheça 15 pesquisas da UFU sobre câncer de mama
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imagem de exame das mamas em tablet

O câncer de mama é uma doença que mobiliza cientistas de várias áreas do conhecimento, que fazem investigações sobre cada etapa da doença: prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e qualidade de vida. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), trabalhos recentes abordam o problema por diversas perspectivas.

Algumas pesquisas buscam novas formas de identificar sinais do tumor, a partir de  sangue, saliva, termografia ou inteligência artificial. Outras investigam substâncias capazes de atuar sobre células tumorais. Há ainda estudos voltados aos desafios enfrentados por pacientes no sistema de saúde, durante a recuperação e depois do tratamento.

Além das reportagens que já publicamos no portal Comunica UFU, fizemos agora um levantamento no Repositório Institucional da UFU, com o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa baseadas em modelos de linguagem de grande escala (LLMs), e identificamos novas pesquisas defendidas em 2025 e 2026 que tratam do câncer de mama.

Os resultados de experimentos laboratoriais não significam que uma substância, equipamento ou método já esteja disponível para diagnóstico ou tratamento de pacientes. A transformação de uma descoberta experimental em aplicação clínica exige etapas adicionais de validação científica, mas já são os primeiros passos para a ciência avançar.

Quanto tempo uma paciente espera entre receber o diagnóstico de câncer de mama e começar o tratamento? Essa foi a pergunta que o trabalho de Gustavo Ribeiro Lopes, da Residência Médica em Oncologia Clínica da UFU, procurou responder.

O pesquisador analisou 82 registros de pacientes encaminhadas pela regulação municipal para atendimento no Hospital de Clínicas da UFU, integrante da rede de Hospitais Universitários (HU Brasil). Foram avaliados diferentes intervalos da trajetória assistencial, desde o diagnóstico até o início do tratamento.

O estudo encontrou tempo médio de 72 dias entre a confirmação diagnóstica e o início do tratamento. O principal gargalo está antes da chegada ao serviço especializado. Os atrasos são cumulativos e estão relacionados principalmente às etapas pré-hospitalares da linha de cuidado.

O trabalho foi orientado por Amanda Leonel Bianqui Barcelos e defendido em janeiro de 2026. Confira a íntegra do estudo no Repositório UFU .

Fadiga, dor e redução da amplitude dos movimentos estão entre os efeitos colaterais do tratamento radioterápico. Pensando nesse período, João Victor Oliveira do Nascimento desenvolveu um material educativo voltado para mulheres com câncer de mama.

O trabalho de Residência em Oncologia resultou em uma cartilha de exercícios físicos elaborada a partir de revisão da literatura. O material reúne cinco exercícios ilustrados, orientações gerais e uma mensagem motivacional. A publicação também tem versão em audiodescrição, para ampliar sua acessibilidade.

A proposta é contribuir para o autocuidado e o manejo de sintomas relacionados à radioterapia, oferecendo informações em linguagem simples que possam ser utilizadas para a promoção da saúde e a reabilitação oncológica.

O trabalho foi orientado por Marielly Cunha Castro, com coorientação de Silvana Gonçalves Cardoso, e defendido em dezembro de 2025. Leia o trabalho e baixe a cartilha no Repositório UFU .

A detecção do câncer de mama por meio de uma amostra de sangue é o foco da tese de doutorado de Izabella Cristina Costa Ferreira, defendida em 2025 no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde.

O estudo combina biópsia líquida, inteligência artificial e outras técnicas para procurar sinais associados à presença da doença no plasma, a parte líquida do sangue. A proposta é investigar se alterações no conjunto de moléculas presentes no sangue podem ajudar a diferenciar pacientes e contribuir para o diagnóstico.

A pesquisa foi orientada por Yara Cristina de Paiva Maia. O trabalho completo está disponível no Repositório , embora o arquivo esteja atualmente sob embargo até outubro de 2027, e há outras informações sobre este estudo em reportagens do portal Comunica UFU .

Até a saliva pode ser utilizada como fonte de informações para investigar alterações associadas ao câncer? Essa possibilidade foi estudada por Marlone Love Tchouptang Njiyip, no Programa de Pós-graduação em Genética e Bioquímica.

A pesquisadora desenvolveu um biossensor eletroquímico portátil para detectar o miR-200a, um microRNA relacionado à progressão do câncer de mama e à transição epitélio-mesenquimal (processo que ajuda as células do tumor a se espalharem). O dispositivo foi construído sobre um eletrodo de carbono e utiliza uma reação de hibridização para identificar a molécula-alvo.

Na etapa de validação com amostras de saliva, a plataforma conseguiu diferenciar indivíduos saudáveis, pessoas com doença benigna da mama, pacientes com câncer de mama e casos de câncer de mama triplo-negativo, um subtipo que não apresenta três receptores frequentemente utilizados para direcionar tratamentos: os receptores de estrogênio, progesterona e HER2. O método teve 100% de precisão na capacidade de diferenciar os grupos estudados nesta fase da pesquisa.

Outro diferencial é que a leitura do sensor pode ser feita com auxílio de smartphone, característica que abre possibilidades para o desenvolvimento de dispositivos portáteis de diagnóstico. O trabalho, porém, ainda está no campo da pesquisa e não significa que o equipamento esteja disponível para uso clínico.

A dissertação foi orientada por Ana Graci Brito Madurro, com coorientação de João Marcos Madurro e Yara Cristina de Paiva Maia, e defendida em fevereiro de 2026. O texto integral está temporariamente sob embargo no Repositório UFU. Mas confira o registro da dissertação e a reportagem sobre biossensores no Comunica UFU.

Uma pesquisa aposta na inteligência artificial para auxiliar na detecção do câncer de mama. O trabalho de conclusão de curso (TCC) de Gustavo Pioli Resende, da Ciência da Computação, comparou modelos de redes neurais convolucionais, um tipo de algoritmo de aprendizado de máquina, aplicados a imagens infravermelhas das mamas.

A termografia registra padrões de calor e, no estudo, foram avaliadas imagens obtidas de diferentes ângulos. Os resultados indicaram que uma abordagem com múltiplas entradas permite analisar regiões que ficavam inacessíveis em modelos baseados em uma única imagem, apontando potencial para uso da técnica como ferramenta auxiliar na detecção precoce.

A pesquisa foi orientada por Renata dos Santos Melo e defendida em 9 de maio de 2025. Leia o trabalho completo no Repositório UFU .

6. IA também pode estimar tamanho de tumores

A inteligência artificial (IA) pode ser aplicada à estimativa de características de estruturas que simulam tumores mamários. No mestrado em Engenharia Mecânica, João Marcos Gomes Vieira criou e testou programas de inteligência artificial (redes neurais) para analisar imagens térmicas. O objetivo foi estimar o tamanho e a posição de pequenas partes colocadas nesses modelos para simular tumores.

Em vez de trabalhar diretamente com imagens clínicas de pacientes, o estudo utiliza modelos experimentais e imagens térmicas. Essa abordagem permite investigar como algoritmos de inteligência artificial podem interpretar padrões de temperatura e contribuir, futuramente, para ferramentas de apoio ao diagnóstico.

A pesquisa foi orientada por Gilmar Guimarães e defendida em fevereiro de 2026. O trabalho integra uma linha de investigação que aproxima engenharia, termografia e aplicações médicas. Leia a dissertação completa.

O câncer de mama e o seu tratamento também podem afetar aspectos emocionais e a percepção que as mulheres têm de si mesmas. Foi isso que Karolinne Rodrigues Silva Lemes, da graduação em Enfermagem, investigou em um estudo sobre a autoestima de mulheres submetidas à mastectomia total, a cirurgia que remove toda a mama.

A pesquisa teve abordagem quantitativa e utilizou a Escala de Autoestima de Rosenberg, que é um teste psicológico com 10 afirmações, além de um questionário sociodemográfico. Participaram mulheres maiores de 18 anos submetidas à mastectomia total há pelo menos seis meses e que ainda não haviam iniciado quimioterapia.

Os resultados mostraram que muitas participantes apresentam níveis satisfatórios de autoestima, mas também evidenciaram desafios emocionais relacionados ao processo de adoecimento e tratamento. Por isso, o cuidado não deve se limitar aos aspectos biomédicos, mas considerar também a dimensão emocional das mulheres que passaram pelo tratamento.

O trabalho foi orientado por Suely Amorim de Araújo e defendido em setembro de 2025. Leia no Repositório UFU .

A relação entre alimentação e câncer não termina depois do tratamento. Victor Ribeiro Santana, do curso de graduação em Nutrição, investigou a associação entre o horário das refeições e o consumo de alimentos ultraprocessados em mulheres que tinham sobrevivido ao câncer de mama e estavam em tratamento hormonal.

O estudo avaliou 173 mulheres, sendo 84 em uso de tamoxifeno e 89 em uso de inibidores de aromatase, que são medicamentos de bloqueio hormonal. O consumo alimentar foi investigado por meio de um registro de 24 horas, com classificação dos alimentos. Também foram utilizados modelos estatísticos para analisar as associações entre os horários das refeições e os padrões alimentares.

Entre as mulheres que utilizavam tamoxifeno, horários mais tardios para a primeira refeição estão associados a menor consumo de alimentos in natura ou minimamente processados e maior participação de ultraprocessados na alimentação. Também foram observadas associações entre horários mais tardios de alimentação e maior ingestão energética. Já no grupo que utilizava inibidores de aromatase, as associações encontradas estão principalmente relacionadas à ingestão energética e à distribuição de macronutrientes, que são os componentes fundamentais da nossa alimentação, como carboidratos, proteínas e gorduras.

A pesquisa foi orientada por Cibele Aparecida Crispim, com coorientação de Danielle Fernandes Alves, e defendida em agosto de 2026. O texto integral está temporariamente sob embargo no Repositório UFU , mas é possível saber mais sobre crononutrição na série Produtividade em Pesquisa do Comunica UFU.

Uma pessoa com deficiência, para conseguir realizar um exame ou chegar a um tratamento, pode encontrar obstáculos que vão além da própria doença. Foi o que investigou Priscila Alves Nunes, no seu TCC em Engenharia Biomédica.

Por meio de uma revisão da literatura, a pesquisadora identificou barreiras estruturais, comunicacionais, atitudinais e sistêmicas enfrentadas por pessoas com deficiência no rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. O estudo aponta medidas como adaptação de infraestrutura, capacitação de profissionais, comunicação acessível, registro das necessidades dos pacientes e uso de tecnologias de apoio.

O trabalho foi orientado por Ana Claudia Patrocinio e defendido em 29 de agosto de 2025. Leia o trabalho completo no Repositório UFU .

10. Nanotecnologia e luz para tratamento

A terapia fotodinâmica é outra estratégia investigada na UFU contra o câncer de mama. Na pesquisa de mestrado de Hellen Cristina Novais de Oliveira, do Programa de Pós-graduação em Química, foi desenvolvido e avaliado um nanocompósito (material formado pela combinação de diferentes componentes em escala extremamente pequena) composto por hexacianoferrato de cobalto, nanotubos de carbono e ácido fólico.

A proposta é combinar esse nanocompósito à terapia fotodinâmica, que utiliza luz para ativar uma substância fotossensibilizadora, desencadeando reações que podem danificar células tumorais. O ácido fólico, por sua vez, foi incorporado ao material por sua capacidade de se ligar a receptores encontrados em maior quantidade em alguns tipos de células tumorais, uma característica que pode ajudar a direcionar o material para essas células.

O estudo teve como foco o câncer de mama triplo-negativo e foi defendido em 7 de fevereiro de 2025, sob orientação de Edson Nossol. Leia a dissertação no Repositório UFU .

11. Quando o tratamento depende da Justiça

A pesquisa de Giovana Spini Gonçalves, do curso de Direito, analisou o fornecimento judicial de medicamentos experimentais e de uso off-label para o tratamento do câncer de mama pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O termo off-label se refere ao uso de um medicamento de maneira diferente daquela prevista em sua aprovação, por exemplo, para outra doença ou indicação.

O estudo examinou a legislação e decisões dos tribunais brasileiros sobre a chamada judicialização da saúde, quando pacientes recorrem à Justiça para obter medicamentos ou tratamentos.

A conclusão é de que as regras atuais tornaram mais rigoroso o acesso judicial a medicamentos não incorporados ao SUS, exigindo evidências científicas e a comprovação de que não há alternativa disponível na rede pública. Para a autora, o desafio é conciliar esses critérios com a garantia do direito à saúde de pacientes em situações graves.

O trabalho foi orientado por Luiz Cesar Machado de Macedo e defendido em julho de 2026. Leia no Repositório UFU.

Em diferentes TCCs de graduação em Biotecnologia, desenvolvidos sob orientação da professora Thaise Gonçalves de Araújo, jovens pesquisadores investigaram estratégias experimentais para lidar com as células de câncer de mama, especialmente o subtipo triplo-negativo. Os estudos exploraram desde novas formas de detectar sinais da doença até substâncias capazes de interferir no comportamento das células tumorais.

Luana da Silva Alves investigou vesículas extracelulares, que são pequenas estruturas liberadas pelas células e encontradas no sangue de pacientes com câncer de mama. Utilizando uma técnica de laboratório chamada Magneto-ELISA, o estudo avaliou se essas estruturas poderiam ajudar a diferenciar características dos tumores. Acesse o trabalho na íntegra.

Matheus Santos Souza testou peptídeos sintéticos (pedaços de proteínas criados em laboratório) selecionados pela técnica Phage Display . Um deles apresentou maior efeito sobre células de câncer de mama triplo-negativo e alterou a atividade de genes relacionados a algumas moléculas inflamatórias. Leia o TCC no Repositório UFU.

Ana Nogueira avaliou extratos de Renealmia petasites , planta conhecida popularmente como pacová, em células de câncer de mama. Algumas frações reduziram a capacidade de multiplicação e movimentação das células tumorais, além de alterarem a atividade de genes relacionados à inflamação. Saiba mais no trabalho completo.

Ana Ligia Ubaldino investigou compostos da classe dos benzotiazóis. Um deles apresentou efeitos sobre células tumorais e reduziu sua capacidade de formar colônias e se movimentar, além de provocar alterações na atividade de genes envolvidos na progressão do câncer. Confira a íntegra da monografia.

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.

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Câncer de mama pode ser detectado por imagens infravermelhas ainda em fase inicial

Laço rosa em uma blusa branca

Conheça quatro pesquisas sobre câncer de mama feitas na UFU em 2025

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